A paisagem do Morro da Igreja é um organismo em constante mutação. Em questão de minutos, o cenário se transforma. Do céu límpido à neblina cerrada, do conjunto de montanhas visíveis ao vazio branco e denso, onde tudo se dissolve.
A Casa da Montanha, premiada no 8º Prêmio Saint-Gobain AsBEA de Arquitetura, nasce desse lugar indomado. Não como forma de enfrentamento, mas como continuidade.
Assim como o próprio morro, esculpido por milênios sem pressa, a casa é feita de fragmentos — Casa Principal, Galpão de Fermentações e Cinema. Cada função assume uma forma distinta, desconectada em aparência, mas percebida como parte de um mesmo corpo que se entrelaça com a paisagem.
A Casa de Hóspedes é pequena e funcional. Ela está voltada para a vista mais bonita do terreno, dessa forma sua varanda também funciona como um mirante.
Seu interior relembra as áreas de estar e descanso da Casa Principal, colocando a madeira e seu aspecto natural em evidência. O aspecto simbólico e sensível é também explorado pela iluminação, que adentra a edificação com delicadeza e cria jogos de luz e sombra conforme as horas do dia.
A Sala de Música/Escritório é um espaço de introspecção, uma caixa suspensa no ar e que está na altura das copas das árvores, possível pela sua localização em um grande declive do terreno, deixando-a em meio à natureza e ao silêncio. O acesso a essa edificação é feito por uma passarela, como um portal que leva para esse espaço de infinitos sons.