Casa Entrelaços

Franthesco Spautz

Urubici | RS

Esta casa nasce daquilo que não é imediato: ela surge do encontro entre tempos distintos, estruturas diferentes e paisagens opostas.
De um lado, o bosque denso, vertical e sombreado.
Do outro, a declividade que se abre para o horizonte distante das montanhas.
Entre essas duas condições:  compressão e amplitude, sombra e luz plena — a arquitetura não escolhe um caminho. Ela constrói uma interface.

A nova estrutura não substitui a existente. Ela se aproxima, se conecta e se distancia na medida necessária para que ambas permaneçam legíveis. Não há sobreposição, mas coexistência. O projeto se organiza como um sistema de relações, onde cada volume mantém sua autonomia enquanto participa de um conjunto maior.

No centro, um vazio.

O pátio interno não é apenas um espaço aberto: é o nó que entrelaça todas as forças da casa. É por ele que se chega, é ao redor dele que se vive, é a partir dele que os percursos se orientam. 

É nesse intervalo que acontecem os encontros entre moradores, entre espécies, entre interior e exterior, entre o cotidiano e a paisagem.

Os fluxos se cruzam sem se impor.
As áreas íntimas, sociais e de serviço são conectadas por uma zona de transição contínua. Essa área de chegada não é apenas circulação: é o espaço onde a casa se revela gradualmente, onde o corpo entende sua organização antes mesmo de percorrê-la.

A Casa da Montanha nasce do desejo de calor e aconchego. A madeira é a matéria dominante, escolhida não apenas por sua estética, mas por sua presença sensorial. O som do caminhar sobre o piso, o toque das superfícies aquecidas, o perfume leve do material: tudo nela constrói memórias. Mesmo quando distantes, ao sentir a madeira através de todos os sentidos, os moradores reencontrarão, por instantes, a sensação de lar.

Os espaços destinados aos animais, aos cultivos e ao trabalho não são anexos funcionais. Eles fazem parte do sistema de vida que estrutura a casa. O habitar não é entendido como permanência humana isolada, mas como convivência ampliada entre diferentes formas de presença.

A Casa Entrelaços não é definida por seus volumes, mas pelas relações que constrói.

 

Ela é feita de conexões: entre arquiteturas, entre paisagens, entre cheios e vazios, entre o movimento e a pausa.

Mais do que um abrigo, é um campo de convergência onde as diferenças não são anuladas, são mantidas em tensão até encontrarem equilíbrio.

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